Infertilidade: quando investigar e quais exames fazer

A infertilidade é um tema que costuma vir carregado de ansiedade, frustração e muita desinformação. Quando a gravidez não acontece, é comum que o casal receba palpites, orientações superficiais e até promessas simplistas. Mas fertilidade não deve ser conduzida no improviso. Ela precisa de avaliação estruturada, raciocínio clínico e decisões baseadas em investigação correta.

De forma geral, a infertilidade é definida como a ausência de gestação após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem contracepção. No entanto, esse prazo não é igual para todos os casos. A ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva) orienta iniciar a investigação após 12 meses em mulheres com menos de 35 anos, após 6 meses em mulheres com 35 anos ou mais, e de forma mais imediata em mulheres acima de 40 anos ou quando já existem fatores de risco conhecidos.

Quando investigar infertilidade

Esperar demais pode atrasar um diagnóstico importante. Por outro lado, investigar cedo demais, sem critério, também pode gerar ansiedade e excesso de exames. O ponto ideal é respeitar a idade, o tempo de tentativa e o contexto clínico. Quando a mulher tem ciclos muito irregulares, ausência de menstruação, suspeita de endometriose, histórico de cirurgia pélvica, infecções prévias, fator tubário, perda da reserva ovariana ou qualquer condição já associada à fertilidade reduzida, a investigação não deve ser adiada.

Também é importante entender que infertilidade não é exclusivamente um fator feminino. A análise do parceiro deve fazer parte da avaliação desde o início, porque o fator masculino responde por parcela relevante dos casos e pode modificar completamente a estratégia de condução. A avaliação bem feita é sempre do casal, e não apenas da mulher.

Quais exames costumam fazer parte da investigação

A investigação da infertilidade deve ser objetiva e sistemática. Segundo a ASRM, ela costuma incluir confirmação de ovulação, avaliação do útero e da permeabilidade tubária e análise seminal. Dependendo da história clínica, outros exames podem ser indicados para refinar o diagnóstico e entender melhor o que está impedindo a gestação.

Isso significa que o melhor caminho não é sair pedindo muitos exames sem direção. O ideal é construir a investigação a partir de perguntas clínicas certas. A paciente ovula? As tubas estão pérvias? O útero tem alterações que dificultam a implantação? Existe endometriose? Há fator masculino? Esse raciocínio economiza tempo, reduz erros e aproxima o casal de uma conduta mais eficiente.

Quanto tempo tentando engravidar é considerado normal

Essa é uma das dúvidas mais comuns no consultório. Casais sem sinais de infertilidade podem levar alguns meses até engravidar naturalmente, e isso pode estar dentro do esperado. A questão é que, quando o tempo de tentativa ultrapassa o limite recomendado para a idade da paciente, ou quando há sinais de alerta, continuar esperando sem investigação deixa de ser estratégia e passa a ser risco de atraso.

Além do tempo, a forma como o casal tenta engravidar também influencia. A ASRM orienta que relações a cada 1 a 2 dias durante a janela fértil podem aumentar a chance de gestação em casais sem evidência prévia de infertilidade. Mesmo assim, quando a gravidez não vem, insistir sem entender a causa tende a gerar mais desgaste do que resultado.

Infertilidade tem tratamento

Sim, mas tratamento não é sinônimo de uma única técnica ou de fertilização in vitro para todos os casos. A melhor conduta depende da causa. Existem quadros relacionados à ovulação, alterações tubárias, alterações uterinas, endometriose, idade, fator masculino e situações em que mais de um fator está presente ao mesmo tempo. Por isso, antes de pensar na solução, é preciso chegar ao diagnóstico certo.

Em muitos casos, a diferença entre perder tempo e ganhar direção está justamente na qualidade da avaliação inicial. Fertilidade é um tema delicado demais para ser tratado com respostas prontas. O cuidado precisa ser individualizado, respeitando o momento da paciente, o histórico do casal e o objetivo reprodutivo de forma realista e técnica.

Se você está tentando engravidar há algum tempo sem sucesso, ou já percebe sinais de que algo pode estar interferindo, vale buscar avaliação especializada. Quanto mais claro o diagnóstico, mais estratégica tende a ser a condução.


Dr. Daniel Liberman
Ginecologista e Obstetra
CRM 52.99376-0
RQE 22950
Especialista / Título da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) – TEGO 0046/2018
Especialista em Endoscopia Ginecológica
RQE 34705 (FEBRASGO)

Por Dr. Daniel Liberman

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